Exxon Mobil

A Exxon Mobil disse hoje ao Presidente moçambicano que pretende fazer captura de carbono para tornar mais limpo o projeto de gás em Moçambique, mas sem prazos para o arranque da exploração.

“Há questões que ainda estão a decorrer com vista à redução de custos da empreitada”, referiu à Lusa o ministro dos Recursos Minerais e Energia, Max Tonela, após o encontro.

A petrolífera pretende “aproveitar o momento para fazer ajustamentos ao projeto para responder a requisitos de captura de carbono, apesar de o gás de Moçambique ser dos que têm menores níveis de emissões”, destacou o governante.

“Isto vai permitir simultaneamente uma redução de custos e tornar o projeto mais competitivo e alinhado com compromissos internacionais de que o país é signatário” ao nível da preservação do clima.

Sem entrar em detalhes à saída da reunião na Presidência, Liam Mallon, presidente da divisão de perfuração e extração da petrolífera Exxon Mobil, limitou-se a reafirmar o compromisso em investir na região, mas sem prazos.

O dirigente comentou a situação de insegurança em Cabo Delgado, considerando que tem havido progresso, “mas há mais por fazer”.

“A situação é um desafio”, referiu a propósito da insurgência armada que levou à suspensão de outros projetos de gás na região.

A Exxon Mobil está a monitorizar a situação, à espera que melhore e por agora tudo está “em pausa”, disse.

O dirigente visita hoje Moçambique após notícias contraditórias sobre a disponibilidade da petrolífera para avançar com o projeto em terra da Área 4 de exploração de gás em Cabo Delgado.

Apesar do compromisso, ainda não há previsão para a decisão final de investimento, confirmou Max Tonela após os encontros.

O redesenho do projeto prevê sinergias com a Área 1, por exemplo, com “partilha de infraestruturas para levar a uma redução dos custos unitários de produção”, acrescentou o ministro.

O Governo espera que essa redução no custo do gás facilite a viabilização de projetos domésticos a desenvolver com a quota reservada para Moçambique com o objetivo de impulsionar a industrialização do país, acrescentou o ministro em declarações à Lusa.

Moçambique tem três projetos de desenvolvimento aprovados para exploração das reservas de gás natural da bacia do Rovuma, classificadas entre as maiores do mundo, ao largo da costa de Cabo Delgado.

Dois desses projetos têm maior dimensão e preveem canalizar o gás do fundo do mar para terra, arrefecendo-o numa fábrica para o exportar por via marítima em estado líquido.

Um é liderado pela TotalEnergies (consórcio da Área 1) e as obras avançaram até à suspensão por tempo indeterminado, após um ataque armado a Palma, em março.

O outro é o investimento ainda sem anúncio à vista liderado pela ExxonMobil e Eni (consórcio da Área 4).

Um terceiro projeto quase concluído e de menor dimensão pertence também ao consórcio da Área 4 e consiste numa plataforma flutuante que vai captar e processar o gás para exportação, diretamente no mar, com arranque marcado para 2022.

A plataforma flutuante deverá produzir 3,4 mtpa (milhões de toneladas por ano) de gás natural liquefeito, a Área 1 aponta para 13,12 mtpa e o plano em terra da Área 4 prevê 15 mtpa.

A província de Cabo Delgado é aterrorizada desde 2017 por rebeldes armados, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.

O conflito já provocou mais de 3.100 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED, e mais de 817 mil deslocados, de acordo com as autoridades moçambicanas.

Desde julho, uma ofensiva das tropas governamentais com o apoio do Ruanda a que se juntou depois a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) permitiu aumentar a segurança, recuperando várias zonas onde havia presença de rebeldes, nomeadamente a vila de Mocímboa da Praia, que estava ocupada desde agosto de 2020.

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